Resgate da Identidade: Memorial da Cultura Afro em Ilhéus Celebra o Legado Banto e a Força do Matriarcado
"Projetar um espaço de Cultura Afro que valorize a etnia que construiu esta cidade é fundamental. Estamos plantando a semente de um futuro mais diverso, plural e, acima de tudo, pautado no respeito mútuo", afirmam lideranças ligadas ao projeto.
Por Redação Local
ILHÉUS – Mais do que um destino turístico de belas praias e herança cacaueira, Ilhéus reafirma sua identidade como uma cidade de alma e corpo negros. No coração da Costa do Cacau, a construção do Memorial da Cultura Afro surge não apenas como uma edificação, mas como um marco de reparação histórica e celebração de uma etnia que ergueu — e continua erguendo — os alicerces deste município.
A Herança dos Engenhos e o Olhar Banto
A história de Ilhéus está profundamente entrelaçada ao suor e à resistência dos negros escravizados que operaram os grandes motores econômicos do passado: os engenhos. Destacam-se, no mapa da memória local, os engenhos de Santana, Castelo Novo e da Vitória. Foi nestas terras que se consolidou um olhar único sobre o mundo, moldado pelo Matriarcado do Povo Banto.
Diferente de outras regiões, a influência de Angola em Ilhéus desenhou uma estética e uma filosofia próprias. Essa herança é pulsante na cadência da dança, na complexidade da gastronomia, no ritmo da música e, primordialmente, na profundidade da religiosidade. O memorial nasce para dar voz e visibilidade a essa linhagem que colocou a mulher negra no centro da organização social e espiritual da comunidade.
Uma Luta de Gerações: Carlos Ègbón Álábojí e o Movimento Negro
A concretização deste espaço é fruto de uma resistência incansável. O projeto carrega o esforço e a dedicação de Carlos Ègbón Álábojí, figura central que, junto a todo o Movimento Negro de Ilhéus, transformou o desejo de preservação em uma realidade institucional. Para os militantes, o memorial é a resposta a décadas de invisibilidade.
"Projetar um espaço de Cultura Afro que valorize a etnia que construiu esta cidade é fundamental. Estamos plantando a semente de um futuro mais diverso, plural e, acima de tudo, pautado no respeito mútuo", afirmam lideranças ligadas ao projeto.
Acervo e Memória de Matriz Africana
O Memorial da Cultura Afro não será apenas um local de contemplação, mas um centro vivo de documentação. O espaço está sendo estruturado para preservar:
Acervos e Documentos: Registros históricos que detalham a trajetória do povo negro na região desde o período colonial.
Objetos Sagrados: Peças provenientes de centenários terreiros de Candomblé de nação Angola, que guardam os segredos e a liturgia da matriz africana.
Espaço Multidisciplinar: Áreas destinadas a oficinas de arte, culinária ancestral e estudos da diáspora.
Um Farol para o Futuro
Ao resgatar o passado dos engenhos e a sabedoria dos terreiros, Ilhéus sinaliza que o progresso da cidade não pode caminhar separado de suas raízes. O Memorial da Cultura Afro se estabelece como um ponto crucial de memória, garantindo que as futuras gerações compreendam que a beleza de Ilhéus é, em sua essência, uma herança africana.
Em um cenário global que clama por justiça social e reconhecimento de identidades, Ilhéus dá um passo definitivo para se tornar referência na preservação da cultura banto no Brasil.

Gratidão! Olorun mó dupe wá (Deus nos abençoe)
ResponderExcluirSe torne realidade.