Da Redação Local
ILHÉUS – As escadarias que outrora ecoavam o burburinho de gerações de estudantes agora convidam o visitante a um mergulho no tempo. O centenário Instituto Municipal de Ensino (IME), pilar da educação no Sul da Bahia, encerra seu ciclo como unidade escolar para renascer como o Museu da Gente Grapiúna. A transformação não é apenas estrutural; é a cristalização de décadas de saber, lutas e identidade regional.
O Berço de Notáveis
Fundado em uma era onde o cacau desenhava a riqueza e os contrastes da Bahia, o IME não foi apenas uma escola, mas um centro de efervescência intelectual. Por suas salas de aula passaram personalidades que moldaram a literatura, a política e o pensamento baiano. Mestres e aprendizes ali travaram diálogos que extrapolaram os muros da instituição, consolidando o instituto como o "farol" do saber em Ilhéus.
Um Percurso pela História Regional
O novo museu propõe uma narrativa que começa muito antes de suas paredes serem erguidas. A exposição permanente detalha:
A Colonização e os Primórdios: O papel fundamental dos primeiros professores que desbravaram o interior, levando o alfabeto a uma região marcada pela mata fechada e pela cultura cacaueira.
Vozes da Resistência: O acervo não ignora as cicatrizes do tempo. Estão documentadas as greves históricas, as mobilizações estudantis e as lutas por uma educação pública de qualidade, que muitas vezes transformaram o pátio do IME em palco de resistência política.
Conquistas e Glórias: A celebração das vitórias pedagógicas e o impacto social da instituição na formação da elite intelectual e da classe trabalhadora grapiúna.
A Estrutura do Museu
O projeto arquitetônico preservou a imponência do prédio original, adaptando as antigas salas de aula em espaços expositivos interativos. O visitante poderá encontrar:
Memorial dos Mestres: Um espaço dedicado aos pioneiros da educação.
Galeria dos Ilustres: Fotos, documentos e objetos pessoais de ex-alunos que se tornaram figuras públicas.
Arquivo da Educação: Um centro de pesquisa sobre a evolução didática na região.
"Transformar o IME em museu é garantir que as futuras gerações entendam que a nossa identidade foi forjada no quadro negro e na paixão pelo conhecimento", afirma a curadoria do projeto.
Com a inauguração do Museu da Gente Grapiúna, o IME deixa de emitir diplomas para se tornar, ele mesmo, uma lição viva. A história da colonização, o suor dos primeiros alunos e a resiliência de uma cultura inteira ganham agora um abrigo definitivo, onde o passado e o presente se encontram para contar quem somos.
Roteiro de Visitação
Mapas antigos da Capitania de São Jorge dos Ilhéus e as primeiras rotas de tropeiros que traziam o saber para o interior estão no Museu.
Para que a experiência no Museu da Gente Grapiúna seja completa, o roteiro deve seguir uma linha do tempo lógica, partindo das raízes da região até a consolidação do IME como ícone educacional.
Aqui está uma sugestão de percurso dividido por "Estações de Memória":
1. Átrio de Entrada: O Despertar da Terra
A visita começa no saguão principal, onde o foco é o contato inicial entre os povos originários, os colonizadores e a chegada do cacau.
Destaque: Painéis interativos que mostram a transformação da paisagem de Ilhéus.
O que ver: Mapas antigos da Capitania de São Jorge dos Ilhéus e as primeiras rotas de tropeiros que traziam o saber para o interior.
2. Ala dos Pioneiros: A Primeira Cartilha
Dedicada aos primeiros educadores e às escolas isoladas das fazendas de cacau.
Destaque: Réplica de uma sala de aula do início do século XX, com carteiras de madeira e canetas de tinteiro.
O que ver: Diários de classe manuscritos e as primeiras cartilhas de alfabetização utilizadas na região.
3. Galeria dos Ilustres: O Legado do IME
O coração do museu, focado na história específica do Instituto Municipal de Ensino.
Destaque: Um mural digital onde o visitante pode pesquisar biografias de ex-alunos famosos (escritores, juristas e políticos).
O que ver: Becas originais, medalhas de honra ao mérito e fotografias de formaturas históricas que paravam a cidade.
4. Corredor das Lutas: Giz e Resistência
Esta seção aborda o papel político da escola na sociedade.
Destaque: Uma instalação audiovisual com depoimentos de ex-líderes estudantis e professores.
O que ver: Panfletos de greves históricas, registros de manifestações por melhorias no ensino e o papel do IME durante períodos de transição política no Brasil.
5. Salão de Atos: Cultura e Identidade Grapiúna
Espaço dedicado às manifestações culturais que nasceram ou foram incentivadas dentro do ambiente escolar.
Destaque: Exposições temporárias de artistas locais que foram influenciados pela vivência no Sul da Bahia.
O que ver: Instrumentos musicais de antigas fanfarras e registros de peças teatrais encenadas pelos alunos.
Dica de Visitação:
Recomenda-se iniciar o tour pelo pátio central, que mantém a arquitetura original preservada, servindo como ponto de orientação para as outras alas. O museu termina em uma cafeteria temática, onde o café e o chocolate local convidam à reflexão sobre o que foi visto.


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